2015.03.17 Marie France Garcia Parpet 9

A valorização dos produtos locais - como vinhos, cachaças e queijos - em um contexto de globalização dos mercados foi tema de palestra no CBAE com a antropóloga Marie-France Garcia-Parpet. "A valorização dos produtos locais: objetos exclusivos dos estudos rurais?" aconteceu no  dia 19 de março de 2015.

Garcia-Parpet é pesquisadora do Institut National de la Recherche Agronomique (INRA), onde estuda a construção social dos mercados. Entre seus objetos de pesquisa estão o mercado camponês do Nordeste, a mundialização do vinho, a expansão da noção de “terroir” (terreiro) e os certificados orgânicos.

A organização contou com a parceria do Núcleo de Pesquisa sobre Cultura e Economia (NuCEC), do Núcleo de Antropologia da Política (NuAP) e do Núcleo de Antropologia do Trabalho, Estudos Biográficos e de Trajetória (NuAT). Todos esses fazem parte do PPGAS/MN/UFRJ.

Descrição do evento:

“Em um contexto de liberalização das trocas e de um produtivismo exacerbado, inúmeras questões se colocam sobre o futuro da agricultura familiar, cuja existência e sucesso econômico são fortemente ligados a políticas de fomento nacional ou regional. A valorização das especificidades territoriais e históricas com a noção de “terroir” (terreiro), no que diz respeito a o vinho e ao queijo, é frequentemente percebida pelos cientistas, autoridades políticas e produtores como um meio eficaz para confrontar a crescente competição econômica. Mas esta forma de valorização dos produtos só pode se produzir com um deslocamento do estatuto de produto “standard” para o de produto “simbólico”, um processo que é decorrente não somente do desenvolvimento rural em si  mesmo, mas de representações oriundas do mundo acadêmico, do campo gastronômico e jornalístico. Tais produtos transformados em símbolos tornam-se marcadores de estilos de vida socialmente contrastivos. O estudos da valorização dos produtos locais através das “denominações de origem” (appelation d’origine controlée, AOL, em francês) pode ser assim um revelador poderoso das estrategias dos agentes e dos jogos envolvidos na globalização dos mercados.”

 

 

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No dia 26 de março de 2015 o CBAE recebeu a palestra "Celso Furtado e mudanças do campo internacional dos economistas: ensinamentos do exílio na França" com o professor Afrânio Garcia Jr.. Na conversa, foi destacada a importância de Celso Furtado, as contribuições que o exílio lhe trouxe e as mudanças que ocorriam nesse período.

Afrânio Garcia Jr. é economista formado pela PUC-Rio com doutorado em Antropologia Social pela UFRJ. Diretor do  Centro de Pesquisa sobre o Brasil Colonial e Contemporâneo (CRBC) da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), em Paris, também é pesquisador associado ao CBAE. Além disso, é associado ao Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento.

O Centro Celso Furtado foi um dos apoiadores da atividade, assim como o NUPET/IESP/UERJ, o Grupo de Pesquisa sobre História Global do Trabalho do Instituto Multidisciplinar de Nova Iguaçu da UFRRJ, o DTA/IFCS/UFRJ e o LEMT/CPDOC/FGV.

Descrição do evento:

“A recepção calorosa das edições de Formação econômica do Brasil (1959) e de Desenvolvimento e subdesenvolvimento (1961), livros que acompanham de perto seu prestígio como renovador da matriz institucional do Estado brasileiro, primeiro como  Superintendente da SUDENE, depois como criador do Ministério do Planejamento, contribuiu, de modo paradoxal, para ofuscar sua obra redigida e publicada durante os anos de exílio, quase integralmente vividos na França. Atenção bem menor tem sido dada à evolução de seu pensamento durante os anos em que sua carreira ficou totalmente voltada para o ensino e a pesquisa universitários. A reflexão a ser apresentada busca explicitar as profundas mudanças do panorama institucional francês, a exemplo daquelas já ocorridas no mundo anglo-saxão, que permitem melhor entender a perda de hegemonia do marco teórico keynesiano e a afirmação dos modelos neoclássicos de fatura neoliberal. A percepção do exílio apenas como interregno entre dois momentos onde participou da alta administração do Estado brasileiro parece constituir obstáculo de primeira ordem para a compreensão das contribuições desse autor inovador.“

 

 

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