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Foto: Eneraldo Carneiro/FCC

 

“Custos socioeconômicos de desastres e mudanças climáticas” (Carlos Eduardo Frickmann Young)

Na primeira aula do módulo III do curso, realizada em 7 de outubro, Carlos Eduardo Young começou sua exposição explicando que os desastres climáticos já são uma realidade também no Brasil. Diversos estudos vêm apontando a maior incidência de eventos extremos (como chuvas fortes e secas) nos últimos anos e sua correlação com os desastres mais recentes. O professor exibiu um mapa elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostrando os problemas climáticos determinantes dos desastres mais recorrentes em cada bioma brasileiro. Por exemplo, os desastres na Caatinga estão mais relacionados à seca e à estiagem, enquanto na Mata Atlântica predominam aqueles causados por chuvas fortes e inundações (como deslizamentos de terra).

Em seguida, Carlos Eduardo mostrou que os desastres são também um problema econômico. O “Relatório de Danos Materiais e Prejuízos decorrentes de Desastres Naturais no Brasil – 1995-2014”, publicado pelo Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (CEPED UFSC) em 2016, indica que naquele período foram registradas quase 23 mil ocorrências de danos materiais e prejuízos econômicos relacionados a desastres naturais no Brasil, que totalizaram quase R$ 183 bilhões. Somente os danos e prejuízos decorrentes de desastres climáticos (relacionados a secas e estiagem) somaram no período quase R$ 100 bilhões de reais.

Na sequência, o professor falou da importância das metodologias de valoração ambiental para o dimensionamento dos problemas ecológicos e a priorização das decisões para tratá-los. E terminou sua apresentação lembrando que os desastres não são tão naturais assim: muitos deles poderiam ser evitados com políticas públicas voltadas à prevenção de sua ocorrência (como obras de contenção de encostas, planos de reassentamento de populações vulneráveis e ações para a segurança energética, hídrica e alimentar, entre outras). As políticas públicas são determinantes para reduzir a probabilidade de que fenômenos naturais se convertam em desastres, e é possível fazer escolhas políticas e econômicas que conjuguem a promoção do bem-estar social e da justiça ambiental com o necessário enfrentamento das mudanças climáticas.

O material de apoio dessa aula, assim como a bibliografia recomendada pelo professor, estão disponíveis em: https://bit.ly/2H9J8Di.

 
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