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Foto: Bira Soares/FCC

 

No dia 31 de maio foi realizada a mesa “Favelas e ditadura: entre as remoções forçadas e a militarização do cotidiano”, como parte do ciclo “Memória, Movimentos Sociais e Direitos Humanos”.

As favelas e seus moradores foram alvos de diferentes estigmas e formas de violência estatal ao longo da história do Brasil. Durante a ditadura, essa violência se expressou de duas formas principais: por um lado, um amplo programa de remoções forçadas atingiu mais de cem mil pessoas no Rio de Janeiro, o que só foi possível com a repressão contra lideranças locais que organizavam a resistência às remoções; por outro lado, o regime ampliou o controle social e a militarização do cotidiano dos moradores de favelas e periferias, por meio de expedientes como as prisões arbitrárias sob a justificativa de vadiagem e a ampliação dos grupos de extermínio e esquadrões da morte, práticas de caráter marcadamente racista e classista. No pós-redemocratização, estes espaços da cidade continuaram sendo os alvos prioritários da violência estatal. Para refletir sobre estas e outras questões, recebemos os seguintes convidados:

Gizele Martins,  jornalista e comunicadora popular, graduada em comunicação pela PUC-Rio com mestrado em Educação, Cultura e Comunicação pela UERJ. É assessora da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da ALERJ. Por mais de dez anos foi repórter e jornalista responsável do Jornal O Cidadão, meio comunitário que circula há 19 anos no Conjunto de Favelas da Maré. Atualmente, organiza o curso “Histórias Vivas: O histórico de resistência das favelas do Rio de Janeiro”.

Lygia Segala, antropóloga, com mestrado e doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ.  Atualmente é professora associada da Universidade Federal Fluminense e pesquisadora-associada do Programa de Memória dos Movimentos Sociais (MEMOV) do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ. Desenvolve pesquisas sobre memória social e patrimônio cultural, com foco na favela da Rocinha.

Marco M. Pestana, historiador, com graduação, mestrado e doutorado concluídos pela Universidade Federal Fluminense. É professor do Instituto Nacional de Educação dos Surdos. Foi responsável, ao lado da historiadora Juliana Oakim, pela pesquisa sobre a ditadura nas favelas para a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro.

Rafael Soares Gonçalves,  graduado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Filosofia pela Faculdade João Paulo II, com doutorado em História pela Université Paris Diderot-Paris 7. Atualmente é professor adjunto da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Realizou pesquisas nas áreas de História Urbana e Direito Urbanística.

O ciclo “Memória, Movimentos Sociais e Direitos Humanos” foi coordenado pelo antropólogo José Sérgio Leite Lopes, junto aos pesquisadores Felipe Magaldi, Lucas Pedretti, Luciana Lombardo e Virna Plastino.

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