11 AGO – TER – 17H
Apresentação
Que princípio articulava a unidade do social na Antiguidade Tardia?
Esta mesa propõe inverter essa pergunta. Em vez de buscar um princípio unificador, interessa compreender como essa unidade foi construída.
A investigação parte da constatação de uma redundância estrutural entre as funções antropológicas tradicionalmente atribuídas ao direito e à religião — aquela cisão de um princípio unitário de soberania em dois domínios simultaneamente antitéticos e complementares, identificada por Georges Dumézil — e da premissa de que as construções normativas estão profundamente ligadas a representações inconscientes.
A discussão examinará de que modo a teologia patrística, por meio de seus credos, de seus dispositivos discursivos e de seu escrutínio incessante de um Deus que, na encarnação, se revelava faltante, foi cerimonialmente apropriada e convertida em um conjunto de ícones socialmente disponíveis. Esses dispositivos passaram a produzir efeitos de verificação análogos aos do direito, contribuindo para a constituição da ordem social do Império.
Sob essa perspectiva, a unidade do social aparece não como um dado, mas como o efeito de uma encenação capaz de tornar o poder simbolicamente suportável e, ao mesmo tempo, de submeter os sujeitos a uma ordem enunciada em nome de um Outro.
Poderá o exame desse momento decisivo da formação da matriz teológico-política — cuja permanência foi interrogada por Claude Lefort — restituir à estrutura fiduciária da sociedade seu caráter de acontecimento histórico, e não de destino?
Exibição de filme
La Fabrique de l’homme occidental (trechos)
Apresentação: Sonia Altoé (UERJ)
A sessão será aberta com a exibição de trechos do documentário La Fabrique de l’homme occidental, dirigido por Gérald Caillat em colaboração com o filósofo Pierre Legendre (1930–2023).
La Fabrique de l’homme occidental é um documentário singular que percorre as instituições do Ocidente para investigar os fundamentos antropológicos que estruturam nossas sociedades. Ao mesmo tempo em que evidencia as extraordinárias conquistas científicas e tecnológicas do mundo ocidental, revela também o enfraquecimento de sua capacidade de interrogar os próprios fundamentos.
O filme mostra que a formação do ser humano não se reduz à reprodução biológica das linhagens. Nenhuma sociedade se constitui sem narrativas, música, rituais, coreografias ou grandes monumentos religiosos, jurídicos ou poéticos. Instituir a vida — esta é a ideia central que atravessa o filme e que, segundo Pierre Legendre, constitui uma tarefa compartilhada por toda a humanidade.
“Espaços infinitos, ciências abundantes, superabundância industrial, mas também o terror de viver, o indivíduo perecível e os deuses, também mortais. Incansável e solitária, a humanidade jamais se nega. Vive, morre sem contar. Mas produzir carne humana não basta para viver; a humanidade precisa de uma razão para viver.” Pierre Legendre
Apresentação
- Emanuel Fiano (Fordham University)
Mesa de discussão
- Juliana Neuenschwander Magalhães (UFRJ), Márcio Goldman (UFRJ), André Leonardo Chevitarese (UFRJ), João Nara (UFRJ)
Presencial:
Espaço Castro, Lessa e Conceição do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, Av. Rui Barbosa, 762 – Flamengo, Rio de Janeiro.
Online:
As informações de participação e acesso às atividades on-line serão enviadas aos inscritos.
Transmissão
Canal do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ no YouTube