O reencontro de três mestres com a memória e o futuro

O espaço estava cheio antes mesmo do início da celebração. Na sala principal, instalada no prédio histórico sede do CBAE da UFRJ, no Flamengo — onde o antigo Hotel Sete de Setembro guarda memórias da cidade — a plateia se ajeitava entre abraços e reencontros; e, a certa altura, já não era possível distinguir onde terminava a emoção e começava a conversa. A inauguração do novo Espaço “Antonio Barros de Castro, Carlos Lessa e Maria da Conceição Tavares” devolveu aos presentes uma sensação rara: a de que a universidade pode ser, ao mesmo tempo, casa de afetos e laboratório de futuro. O ambiente — cuidadosamente restaurado e equipado para atividades híbridas, com sala principal para cerca de 60 pessoas, integrado ao conjunto arquitetônico do CBAE — ajudou a definir o tom da noite: respeitar o passado e operar, com rigor e imaginação, no presente e no porvir.

Foi uma roda de conversa em forma de tributo — e um tributo que soou como aula aberta. Nas primeiras falas, um consenso se formou sem esforço: Castro, Lessa e Conceição não eram apenas grandes economistas; eram mestres, daqueles que atravessam gerações e deslocam bússolas intelectuais. Sentados em torno da mesa em U, os presentes pareciam carregar histórias pessoais consigo; cada lembrança acendia uma centelha do método e da coragem que os três ensinaram a cultivar.

Houve risos, lágrimas discretas e, sobretudo, a sensação de banquete intelectual — expressão que, dita ao microfone, virou mote da noite. “É um banquete”, repetiu-se, como quem reconhece a fartura de ideias e de afeto compartilhados.

Entre os muitos momentos marcantes, alguns fizeram o tempo parar. Ricardo Bielschowsky, aluno e amigo de décadas, ofereceu à plateia um retrato que tocava algo essencial: “Sua amizade foi das riquezas da minha vida; seu conhecimento era imenso e seu afeto, também.” A frase, dita por quem conheceu Antonio Barros de Castro por dentro, condensou o que tantos sentiam ali — a inteligência, sim, mas também a presença humana como força de transformação.

Lavínia Barros de Castro trouxe a casa ao centro do palco e, com a serenidade de quem fala do pai e do intelectual, desarmou qualquer solenidade vazia: “Meu pai odiava a palavra ‘legado’.” A plateia sorriu — e entendeu. Não se tratava, naquele encontro, de empalhar memórias, mas de pôr ideias para trabalhar. “A aposta maior dele era uma sociedade do conhecimento que incluísse todo mundo.” O verbo no presente — apostar — soou natural, como se Castro ainda estivesse ali, apontando brechas e possibilidades.

Do lado de Maria da Conceição Tavares, vieram lembranças com o tempero da convivência e a energia do embate. Franklin Serrano contou, entre risos, que o primeiro telefonema da economista foi “um palavrão”, seguido de um clique na linha; pouco depois, vieram a amizade, as conversas sem concessão e a régua que ela nunca poupava de ninguém. “Conceição tinha alta intolerância a resultados medíocres e ideias mal pensadas”, resumiu. Em duas frases, o espírito da professora: paixão inegociável por pensar o Brasil com ambição e coragem.

Carlos Lessa apareceu nas palavras dos colegas como um tribuno generoso, desses que incendiavam auditórios com humor, erudição e uma brasilidade afetiva — a ponto de Fábio Sá Earp lembrar que, mesmo na molecagem, havia método e uma ética do público. Sua Enciclopédia da Brasilidade, obra de maturidade à qual dedicou anos, foi lembrada como gesto de formação: material precioso e de circulação restrita, concebido para despertar pertencimento e curiosidade. Ali mesmo se aventou a ideia de estudar caminhos para tornar esse acervo mais acessível ao público, em diálogo com a UFRJ e parceiros — uma forma de prolongar, no tempo digital, o impulso pedagógico que movia Lessa.

No fluir das falas, a mediação firme e elegante de Ana Célia Castro deu cadência de crônica coral à noite. Houve lugar para a análise histórica, para o comentário biográfico, para o dado técnico — e para o riso, sempre que a lembrança de sala de aula pedia. Aspásia Camargo afinou o diapasão do tributo com uma convocação: “Precisamos de um projeto de país que una identidade nacional e Estado de bem-estar.” A frase pousou com naturalidade sobre os três homenageados, que sempre recusaram a dicotomia entre crescimento e inclusão.

A certa altura, a conversa retornou a Castro — e Maria Antonieta Leopoldi amarraria a cena com precisão de historiadora: o que fazia de Castro um visionário não era futurologia fácil, mas a capacidade de “ver as tendências estruturais por baixo do ruído” e apostar no progresso técnico como política de Estado. Não por acaso, sua leitura sobre o governo Geisel — pedra de toque para entender escolhas industriais e institucionais do país — seguiu ecoando ali como lente que ainda ilumina dilemas presentes.

No plano afetivo e no plano das ideias, Renato Boschi sublinhou aquilo que a roda demonstrava por si: a universidade é trabalho coletivo, feito de redes de confiança e de debate público, e esse novo espaço do CBAE nasce para abrigar exatamente isso — trânsito entre disciplinas, diálogo intergeracional, enfrentamento de controvérsias. Ao fim, a síntese parecia evidente: celebrar mestres é reafirmar um método de pensamento, não apenas recordar biografias.

A força do encontro esteve também nos pequenos gestos. Um ex-aluno contou como Conceição transformava uma pergunta atravessada em guinada de pesquisa; outro lembrou o humor de Lessa ao explicar um conceito espinhoso com uma história de botequim; uma ex-orientanda de Castro confessou que aprendeu com ele a mirar alto sem perder a delicadeza. Quando Bielschowsky evocou um “quarteto de ouro do estruturalismo” — com o trio e Celso Furtado — já ninguém precisava de argumento adicional: as trajetórias falavam.

Era impossível, contudo, ignorar o cenário. Um espaço novo dentro de paredes antigas: o contraste entre modernização e memória parecia explicar por que aquela noite tinha algo de rito de passagem. O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (INCT/PPED) restaurou este ambiente do CBAE e o dotou de infraestrutura audiovisual e conexão para encontros híbridos, não como adereço, mas como condição de circulação do pensamento — rodas de conversa, cursos, disciplinas, debates — e como aposta na abertura ao público para além dos muros físicos. O endereço histórico mantém a espessura do tempo; a técnica amplia os alcances da conversa.

No desfecho, Ana Célia agradeceu oradores e público, lembrando que a noite tinha sido também um exercício de cuidado — com a linguagem, com a divergência, com a cidade. “Banquete intelectual”, alguém repetiu outra vez, já quase como bênção. E talvez seja isso que o novo espaço proponha: reunir gente para pensar o Brasil com fome e com método, como fizeram — e fazem, pelos alunos que deixaram — Castro, Lessa e Conceição. Aquela trindade das intensidades que, no léxico dos amigos, virou quase um gênero literário: o ensaio falado, a aula-debate, a provocação generosa.

Se tributos costumam encerrar ciclos, aqui o gesto foi o inverso: abriu-se uma casa. Modernizada por dentro, antiga por fora, popular por vocação, acadêmica por exigência — uma casa para que o pensamento volte a se encontrar com a vida. E para que a memória de três mestres faça aquilo que sempre ensinou: empurrar o tempo para a frente.

Ao apagar das luzes, restava a sensação de que os três voltaram a conversar. Não estavam materialmente, mas em espírito e na vibração das palavras, no riso que ecoou diante das lembranças, no silêncio respeitoso após cada citação. O novo espaço, moderno em suas formas e histórico em sua alma, guarda agora essa presença. Um lugar onde passado e futuro se encontram — e onde três mestres continuam a ensinar que o pensamento crítico é, também, um ato de esperança.

Texto: Wellington Gonçalves

A crônica faz referência ao evento de Inauguração do Espaço Castro, Lessa e Conceição. Disponível em: Transmissão YouTube – Inauguração do Espaço Antonio Barros de Castro, Carlos Lessa e Maria da Conceição Tavares

Esta crônica é uma homenagem da equipe técnico-administrativa do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento a Antonio Barros de Castro, Carlos Lessa e Maria da Conceição Tavares — e a Ana Célia Castro, cuja arte de reunir pessoas, saberes e gerações, junto à dedicação de sua equipe, tornou este e tantos outros encontros possíveis.

Em reconhecimento, assinam, em nome das equipes que assessoram o CBAE e o INCT-PPED: Bárbara Calabria, Cecilia Salek, Daniel Volchan, Fernando Vasconcelos, Guilherme Aguiar, Letícia Simões, Maristela Santiago de Souza, Míriam Maia, Raquel Bastos, Sean Barbosa, Solange Jorge, Sonia Laís da Rocha, Vera Barradas e Wellington Gonçalves.


Links relacionados:

CBAE inaugura Espaço Antonio Barros de Castro, Carlos Lessa e Maria da Conceicao Tavares com rodas de conversa e convidados especiais

Transmissão YouTube – Inauguração do Espaço Antonio Barros de Castro, Carlos Lessa e Maria da Conceição Tavares

Janelas Abertas Para o Futuro: conheça a sede do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ

Prédio Histórico – Hotel Sete de Setembro

Conferência com Johannes Petry – apenas online

26 AGO – TER – 10H

Convidado:

Johannes Petry – BRICS and the Global Financial Order: Liberalism Contested?

É doutor em Economia Política Internacional pelo Departamento de Política e Estudos Internacionais da University of Warwick, onde sua tese recebeu o Economic Geography Research Group PhD Thesis Prize da Royal Geographical Society. Atualmente, é Pesquisador Sênior na Universidade Goethe de Frankfurt e investigador-chefe do projeto StateCapFinance, financiado pela DFG, que compara as relações entre Estado e mercados de capitais em países como Brasil, China, Índia, Rússia, África do Sul e Coreia do Sul. Sua trajetória acadêmica inclui passagens como pesquisador e docente na Freie Universität Berlin, University of Bonn e visitas a instituições como Fudan University, Peking University, Sciences Po Paris, Ewha Women’s University, Chinese University of Hong Kong e NYU Shanghai.

Sua pesquisa examina as transformações do sistema financeiro global pós-crise, com ênfase nos mercados de capitais chineses, nas infraestruturas financeiras e no papel dos BRICS na contestação à ordem financeira liberal. Petry é coorganizador do livro BRICS and the Global Financial Order: Liberalism Contested? (Cambridge University Press, 2024) e autor de artigos em periódicos como Competition & Change. Também é cofundador do Warwick Critical Finance Group, membro do comitê da rede de pesquisa China in Europe e associate editor da revista Competition & Change, combinando atuação acadêmica internacional, produção científica de impacto e liderança em redes de pesquisa globais.

Apresentação:

Carlos Henrique Santana, UNILA e INCT-PPED

Sobre o evento: 

O sistema financeiro global é o alicerce econômico da ordem econômica liberal contemporânea. Ao contrário de outras áreas da economia global, as finanças raramente são analisadas em discussões sobre contestações ao liberalismo econômico. No entanto, um processo bastante abrangente de contestação externa da ordem financeira global (OFG) está em andamento. Essa contestação ocorre por meio da crescente participação das economias de mercado emergentes nas finanças globais nos últimos anos, especialmente a ascensão das economias do BRICS. Este volume investiga se e como os BRICS contestam a OFG contemporânea, conduzindo uma análise empírica sistemática em sete países, onze áreas temáticas e três dimensões. Essa contestação ocorre em todas as áreas temáticas, mas concentra-se principalmente na dimensão doméstica e transnacional, não no nível internacional, no qual muitas pesquisas se concentram. Em vez de todo o BRICS, são especialmente China, Rússia e Índia que contestam as finanças liberais. 

Transmissão ao vivo pelo Zoom:

Apenas online. Link Zoom será encaminhado aos inscritos um dia antes do evento.

Ensino de Culturas e Línguas Estrangeiras na UFRJ

25 AGO – SEG – 17H

Apresentações:

Prof. Rogerio Tilio – “A língua inglesa na perspectiva de uma educação linguística crítica na graduação em Letras da UFRJ”

Prof. João Baptista – “Línguas, literaturas e culturas em contato: uma experiência”

Profa. Maria Mercedes Riveiro Quintans Sebold – “A experiência de ensinar línguas no Projeto CLAC”

Flora De Paoli Faria – “O ensino das línguas estrangeiras hoje na Faculdade de Letras/ UFRJ e a inteligência artificial”

Mediação:

Profa. Sonia Kapps Reis

Coordenação:  

Godofredo de Oliveira Neto – Titular da Cátedra Machado de Assis

Titular da Cátedra Machado de Assis do CBAE-UFRJ – é escritor, professor universitário e membro titular da Academia Brasileira de Letras, onde ocupa a Cadeira 35 desde setembro de 2022, sucedido por Ana Maria Machado. Professor Titular de Literatura Brasileira na UFRJ, possui graduação e mestrado em Letras pela Université de Paris III – Sorbonne-Nouvelle e doutorado pela UFRJ, com pós-doutorado na Georgetown University (EUA). Autor de 21 livros entre romances e contos – alguns traduzidos para o inglês, francês, espanhol, italiano, vietnamita e búlgaro – foi premiado com o Jabuti em 2006 e tem obras adotadas em diversas universidades brasileiras. Atua como pesquisador com foco no Modernismo e na literatura contemporânea, tendo orientado dezenas de dissertações e teses, participado de centenas de bancas e congressos e ocupado cargos de gestão acadêmica, como Pró-Reitor de Graduação da UFRJ e Diretor do Departamento de Política do Ensino Superior no MEC. Integra ainda o PACC-UFRJ, a Cátedra Machado de Assis, o comitê da Collection Archives/UNESCO e diversos conselhos e grupos de pesquisa nacionais e internacionais.

Link direto da transmissão:

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Oficina Um Novo Olhar, Um Novo Agir – Sociologia da Mudança

19 AGO – TER – 9H/12H

Cátedra Luís de Aguiar Costa Pinto

APRESENTA

Oficina Um Novo Olhar, Um Novo Agir – Sociologia da Mudança

No dia da Luta da População em Situação de Rua, o evento reunirá representantes de ONGs, especialistas, movimentos sociais e do poder público para interagir em rede e propor alternativas mais efetivas e dignas para a população em situação de rua no Rio de Janeiro.

Um novo olhar e um novo agir para a população em situação de rua

A iniciativa do Congresso Nacional, sancionada pelo Presidente Lula, representa um avanço simbólico e concreto: reconhece e dá visibilidade à população em situação de rua, historicamente estigmatizada, excluída das políticas públicas e privada dos bens da civilização.

Essa realidade, que escancara as desigualdades e injustiças sociais do país, tem despertado crescente indignação e mobilização da sociedade. O 19 de agosto remonta ao Massacre da Sé (2004), marco trágico que motivou a articulação entre sobreviventes, movimentos sociais e o poder público na luta por direitos — especialmente por meio dos CIAMPIs, estruturas que integram ações governamentais e sociais em defesa dessa população.

Estimativas do Observatório da UFMG indicam mais de 335 mil pessoas em situação de rua no Brasil, sendo mais de 21 mil apenas no Rio de Janeiro. Números alarmantes e, ainda assim, subnotificados, dada a exclusão dessa população das fontes oficiais de informação.

O lançamento do Plano Ruas Visíveis, em dezembro de 2023, sinaliza o compromisso do governo federal em enfrentar essa urgência. Coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o plano articula diferentes esferas do Estado e da sociedade civil. No entanto, sua implementação enfrenta desafios significativos, especialmente diante dos cortes orçamentários que comprometem as políticas públicas voltadas à população mais vulnerável.

Diante desse cenário, é fundamental que o campo acadêmico amplifique e qualifique esse debate. Ao trazer essa pauta para o Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, a Cátedra de Sociologia reafirma o papel estratégico da Universidade na construção de políticas públicas mais justas, no fortalecimento da democracia e na defesa intransigente dos direitos humanos.

Coordenação:

Aspásia Camargo

Aspásia Camargo é socióloga, professora titular da Cátedra Luís de Aguiar Costa Pinto Sociologia da Mudança do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ e uma das intelectuais públicas mais influentes do país na interface entre ciência, política e sustentabilidade. Doutora pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS/Paris), onde estudou com Alain Touraine, foi diretora de pesquisa do CPDOC/FGV, professora na UERJ e na FGV, e presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). No serviço público, atuou como secretária de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e secretária adjunta do Meio Ambiente no governo FHC, sendo responsável pela criação da Comissão Brasileira de Desenvolvimento Sustentável e pela implementação da Agenda 21 no Brasil. Ambientalista engajada, presidiu o Centro Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, integrou o conselho consultivo da Conferência Rio+20 e foi vereadora e deputada estadual pelo Rio de Janeiro, presidindo a Comissão Permanente de Saneamento Ambiental. É autora de livros e artigos sobre sociologia política, história do Brasil e sustentabilidade, incluindo A Epopeia do Saneamento: Da Revolução Sanitária às Novas Tecnologias. Atualmente, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro e continua ativa na vida pública e acadêmica, com forte atuação na promoção de políticas sustentáveis e democráticas.

Presencial:

Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, Av. Rui Barbosa, 762 – Flamengo, Rio de Janeiro.

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Laicidade na Escola Pública – Formação de Professores

20 AGO – QUA – 17H

A Cátedra Anísio Teixeira de Formação de Professores convida todos para a Roda de conversa “Laicidade na escola pública”.

O evento integra a agenda mensal da Cátedra e objetiva promover a reflexão sobre a laicidade como um princípio que assegura a neutralidade religiosa na educação, promovendo um ambiente inclusivo, de respeito e diversidade.

Contaremos com a participação das professoras Bruna Marques Cabral, da Secretaria de Educação de São João de Meriti e a professora Alessandra Carvalho do Colégio de Aplicação da UFRJ. A roda de conversa contará com a mediação de Aline Crispim – CAp UFRJ.

Presencial:

Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, Av. Rui Barbosa, 762 – Flamengo, Rio de Janeiro.

Link direto da transmissão:

Canal do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ no YouTube

Espaço “Antonio Barros de Castro, Carlos Lessa e Maria da Conceição Tavares” – Inauguração

21 AGO – QUI – 17H

Espaço Antonio Barros de Castro, Carlos Lessa e Maria da Conceição Tavares

Em homenagem a três economistas centrais no pensamento crítico brasileiro, o Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ inaugura um novo espaço dedicado ao conhecimento transversal e de fronteira, em sua sede no prédio histórico do antigo Hotel Sete de Setembro.

O novo espaço foi cuidadosamente restaurado para sediar reuniões, cursos, disciplinas e debates, com infraestrutura para atividades híbridas. Sua sala principal comporta até 50 pessoas e se soma ao conjunto arquitetônico do CBAE, que inclui também o salão nobre e dois salões de apoio.

A programação contará com três rodas de conversa, reunindo economistas, professores e ex-alunos dos homenageados.

Convidados:

Ana Célia Castro (CBAE), Adriano Proença (UFRJ), Antônio Márcio Buainain (UNICAMP), Aspásia Camargo (UFRJ), Carlos Frederico Leão da Rocha (UFRJ), Carlos Medeiros (UFRJ), Clelio Campolina (UFMG), Eduardo Bastian (UFRJ), Fábio Sá Earp (UFRJ), Fernando Nogueira da Costa (UNICAMP), Flavio Gaitán (UNILA), Franklin Serrano (UFRJ), Jan Kregel (Levy), Lavínia Barros de Castro (BNDES), Leonardo Burlamaqui (UERJ), Luís Carlos Bresser-Pereira (FGV), Luís Carlos Prado (UFRJ), Maria Antonieta Leopoldi (UFF), Renato Boschi (UERJ), Ricardo Bielschowsky (UFRJ), Rogério Studart (CEBRI), Sérgio Leite (UFRRJ).

A atividade marca um reencontro simbólico com a memória, o afeto e o pensamento dos que fizeram da universidade um espaço de transformação social.

Sobre os homenageados:

Antonio Barros de Castro (1938–2011)

Professor e pesquisador de destaque da UFRJ, Castro foi um dos principais pensadores do desenvolvimento brasileiro, com forte atuação no Instituto de Economia e no IPEA. Seus estudos sobre industrialização tardia, China e política industrial marcaram gerações. Ex-presidente do BNDES, combinou produção teórica inovadora com atuação em políticas públicas. Era admirado por sua lucidez crítica, espírito afetuoso e compromisso com a soberania nacional.

Carlos Lessa (1936–2020)

Economista, professor emérito da UFRJ e reitor da universidade entre 2002 e 2003, Lessa foi também presidente do BNDES. Com estilo irreverente e pensamento ousado, defendia um projeto nacional de desenvolvimento com inclusão social. Influenciou estudantes e colegas com seu entusiasmo contagiante, linguagem popular e crítica à financeirização da economia. Sua trajetória acadêmica e institucional está profundamente vinculada à UFRJ.

Maria da Conceição Tavares (1930–2024)

Uma das maiores intelectuais brasileiras, Tavares lecionou por décadas na UFRJ e na UNICAMP. Nascida em Portugal e naturalizada brasileira, tornou-se referência incontornável na crítica ao subdesenvolvimento e à dependência econômica. Combativa e apaixonada, influenciou gerações com suas aulas intensas, sua atuação parlamentar e sua crítica frontal ao neoliberalismo. Seus vídeos viralizam até hoje nas redes sociais, revelando sua força, carisma e atualidade.

Presencial:

Espaço Antonio Barros de Castro, Carlos Lessa e Maria da Conceição Tavares do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, Av. Rui Barbosa, 762 – Flamengo, Rio de Janeiro.

Link direto da transmissão:

Canal do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ no YouTube

New Narratives : questions de méthode II – Seminário

21 AGO – QUI – 14H

O seminário tem como objetivo discutir questões metodológicas relacionadas à incorporação de novas vozes na história da filosofia, especialmente as de filósofas negligenciadas pela tradição de pensamento. O encontro trará contribuições sobre o estudo de pensadoras do século XVII e os debates sobre igualdade de gênero no período, além de abordar traduções recentes de obras pouco conhecidas.

As conferências serão realizadas em inglês e francês, com distribuição de material em português para os ouvintes. As perguntas poderão ser feitas em português e serão traduzidas para os idiomas das apresentações.

Participam:

Marie-Frédérique Pellegrin (Université Jean Moulin Lyon 3) – Le sexe de la philosophie. Constats et perspectives sur le canon moderne


Carolina Araújo (UFRJ) – Ménage’s Historia Mulierum Philosopharum: designing a hypertextual translation


Carmel Ramos (UERJ) – Les caméléons de Scudéry : comment aborder la conversation philosophiquement

Debatedores:

Ulysses Pinheiro (UFRJ)

Mary Emily Mattoso (PUC-Rio)

Presencial:

Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, Av. Rui Barbosa, 762 – Flamengo, Rio de Janeiro.

Transmissão:

Canal do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ no YouTube

Promoção e realização:

UFRJ, FAPERJ, Cátedra UNESCO para a História das Mulheres na Filosofia, Ciências e Cultura, Colégio Brasileiro de Altos Estudos e Cátedra Quantas Filósofas.

Prêmio 3 Minutos de Tese (3MT) UFRJ

Inscrições até 22 AGO

O 3MT é uma competição acadêmica onde estudantes de Doutorado apresentam sua tese em apenas três minutos, usando uma linguagem acessível para um público não especializado. O objetivo é desenvolver habilidades de comunicação e permitir que os pesquisadores expliquem a importância de suas pesquisas de forma concisa e clara.

O concurso, com inscrições abertas até o dia 22/08/25, oferece prêmio de R$5.000,00 (cinco mil reais) aos primeiros colocados.

Confira as informações completas: https://forum.ufrj.br/premio-3-minutos-de-tese-ufrj/

Aceleração algorítmica e General Intellect: Crise e Disputa na Era da Inteligência Artificial

INSCRIÇÕES ABERTAS

Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ

Cátedra Francisco de Oliveira – CBAE

Professores: Giuseppe Cocco (PPGCOM) e Felipe Fortes (Pós Doutorado FAPERJ – PPGCOM)

De 21 de agosto a 4 de dezembro de 2025, sempre às quintas-feiras às 14h, Carga horária 60h, 4 Créditos. Formato híbrido.

A disciplina investigará os impactos da aceleração algorítmica e da ascensão da Inteligência Artificial no contexto de uma crise tríptica que afeta as democracias, a globalização e os ciclos de luta democráticos do início do século XXI. A partir de uma análise crítica da crise das formas de subjetivação política que sustentaram os levantes globais dos anos 2000, o curso explora a transformação do General Intellect — isto é, o conhecimento social acumulado, por exemplo, na forma do Big Data e a disputa pela recomposição dos saberes sociais, como, por exemplo, na possibilidade da produção de algoritmos do comum. A aceleração algorítmica é discutida como um vetor histórico em disputa, que não apenas instrumentaliza a cognição, mas também oferece possibilidades para práticas insurgentes e democráticas. Questões como o papel das Big Techs na reconfiguração da ordem mundial, o risco de uma inflexão tecnofascista e as novas formas de controle algorítmico serão abordadas, com foco nas transformações sociais, políticas e cognitivas intensificadas com as novas tecnologias. O curso desafia diagnósticos simplistas, propondo uma abordagem que compreende a aceleração algorítmica como um terreno de disputa política fundamental.

Bibliografia Básica:

Confira a ementa completa!

Presencial:

Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, Av. Rui Barbosa, 762 – Flamengo, Rio de Janeiro.

Online:

Link Zoom será encaminhado por e-mail aos inscritos.

Contato assuntos educacionais: solangejorge@forum.ufrj.br

MedCine: Solaris

15 AGO – SEX – 18H

A Cátedra Carlos Chagas Filho de Fronteiras da Biologia e da Medicina do Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e alunos de medicina da UFRJ convidam para o cineclube “MedCine”. Estamos assistindo filmes que envolvam temáticas médicas e/ou científicas, e depois fazemos uma breve discussão sobre o filme.

A 6ª sessão de 2025 será no dia 15 de agosto, sexta, de 18 às 22 horas, no CBAE, na Av. Rui Barbosa 762, Flamengo. 

O filme a ser exibido é “Solaris”, dirigido por Andrei Tarkovski. O filme é sobre uma estação espacial orbitando o planeta Solaris, onde a tripulação de cientistas entrou em crise.

Alunos da UFRJ que se inscreverem no MedCine como atividade de extensão vão ganhar créditos se assistirem três ou mais sessões no semestre, ou pelo menos 6 sessões no ano.

Oferecemos refrigerante e pipoca.

Mais informações e a lista dos filmes que já assistimos em

https://sites.google.com/histo.ufrj.br/catedra-ccf-ufrj/medcine