Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT/UFRJ
Cátedra Francisco de Oliveira – Aceleração Algorítmica, Democracia e Trabalho
APRESENTAM
Aceleração Algorítmica e General Intellect: das Geopolíticas da Inteligência Artificial às Novas Interfaces do Cerebroceno
12 DE MAR A 25 DE JUN 2026
Apresentação:
A disciplina investiga o conceito de aceleração algorítmica como força histórica que atravessa simultaneamente a tecnologia, a política e a vida, reorganizando as formas de governo, de conflito e de produção da inteligência no século XXI. Parte-se da hipótese de que Big Data, megainfraestruturas de cálculo e a inteligência artificial conexionista constituem hoje um terreno conflitivo no qual se redefinem o lugar do humano, as formas institucionais e os modos de produção de crença, decisão e engajamento coletivo. Nesse contexto, a inteligência artificial emerge como tecnologia planetária e operador geopolítico central, articulando cadeias de semicondutores, data centers e fluxos globais de cérebros, e deslocando a política para o plano da disputa pelas infraestruturas, pelos ritmos cognitivos e pelos regimes de verdade que modulam a experiência social. A aceleração algorítmica expressa essa convergência ao integrar cálculo, poder e vida em um mesmo processo, reconfigurando o General Intellect e intensificando a exteriorização histórica da cognição até a formulação do Cerebroceno, entendido como a era em que o planeta se torna prótese cognitiva da inteligência coletiva socializada. Em contraste com leituras que reduzem a crise contemporânea a monopólios tecnológicos ou à economia da renda, a disciplina propõe compreender a mutação em curso como ontopolítica, na qual plataformas e IA operam como infraestruturas ativas do sensível, do conflito e da produção do real. É nesse horizonte que se inscreve a hipótese orientadora do curso: a possibilidade de imaginar e instituir formas de democracia aumentada para uma humanidade aumentada, capazes de reapropriar as potências tecnológicas e cognitivas da aceleração algorítmica e de reinventar os modos de convivência, decisão e criação coletiva na era do Cerebroceno.
Coordenação:
Giuseppe Cocco – Títular da Cátedra:
Atualmente é Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vinculado aos Programas de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura e em Ciência da Informação (ECO-IBICT). É graduado em Ciência Política pela Université de Paris 8, mestre em Ciência, Tecnologia e Sociedade pelo Conservatoire National des Arts et Métiers, e possui mestrado e doutorado em História Social pela Université de Paris I (Panthéon-Sorbonne). Realizou estágio pós-doutoral no Departamento de Estudos Psicossociais da Birkbeck, University of London (2017–2018). É “Cientista do Nosso Estado” (FAPERJ). Cocco coordena o Laboratório de Território e Comunicação (LABTeC) e é membro fundador da rede Universidade Nômade Brasil. Também é editor das revistas Lugar Comum e Multitudes (Paris). Sua pesquisa se concentra em trabalho, capitalismo digital, transformações urbanas e teoria política no Sul Global. Entre suas publicações estão GlobAL: Biopoder e lutas em uma América Latina globalizada (com Antonio Negri, 2005), MundoBraz (2009), KorpoBraz (2014) e New Neoliberalism and the Other: Biopower, Anthropophagy, and Living Money (com Bruno Cava, Lexington, 2018).
Felipe Fortes – Pesquisador Pós-Doutor:
É bacharel, mestre e doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Brasil. Atualmente é pesquisador de pós-doutorado (FAPERJ) no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde desenvolve pesquisa sobre o pensamento de Antonio Negri e sua relação com o Brasil e o Sul Global. É membro dos grupos de pesquisa Laboratório de Território e Comunicação (LABTeC) e da rede Universidade Nômade Brasil. Também é editor da revista Lugar Comum.
Conteúdo programático:
Estudos da aceleração algorítmica como processo histórico que integra
cálculo, poder e vida, com foco na inteligência artificial conexionista, nas geopolíticas da IA e na reconfiguração do General Intellect. Análise do Cerebroceno como exteriorização planetária da inteligência e discussão das ambivalências da aceleração algorítmica, culminando na hipótese da democracia aumentada como horizonte de reinvenção política.
Vagas:
30 vagas presenciais, destinadas a estudantes de Pós-Graduação Níveis Mestrado e Doutorado. Vagas online serão ofertadas aos demais interessados, como ouvintes, a critério da Coordenação.
Período e carga horária:
De 12 de março a 25 de junho, às quintas-feiras, das 14h às 17h. Carga horária total de 60h (4 créditos), distribuidas em 15 encontros consecutivos.
Certificação:
Concedida aos participantes presenciais que cumprirem frequência mínima de 75% e apresentarem Trabalho de Conclusão de Curso. E certificação como ouvintes aos participantes online.
Ementa completa:
Versão para download (atualizada em 05/02/2026).
Presencial:
Espaço Castro, Lessa e Conceição do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ, Av. Rui Barbosa, 762 – Flamengo, Rio de Janeiro.
Online:
Link Zoom enviado aos inscritos como ouvites
*Dúvidas relacionadas a assuntos educacionais: solangejorge@forum.ufrj.br
Aceleração Algorítmica, Democracia e Trabalho
Cátedra Francisco de Oliveira
Títulares: Giuseppe Cocco e Felipe Fortes
A proposta desta cátedra, apresentada por Giuseppe Cocco e Felipe Fortes, articula mais de três décadas de trajetória intelectual dedicada às transformações do trabalho, da democracia e do desenvolvimento à luz da globalização e da inovação tecnológica. Homenageando o sociólogo Francisco de Oliveira, o projeto parte da crítica à ideia de retorno a um modelo de bem-estar social nos moldes fordistas e se ancora na noção de capitalismo cognitivo, no qual o trabalho imaterial, disperso e comunicacional torna-se central à produção de valor. A proposta analisa como a aceleração algorítmica – por meio de big data, inteligência artificial e plataformas digitais – redefine os processos produtivos e desafia tanto a organização social do trabalho quanto os modelos institucionais da democracia. Também investiga os efeitos dessas dinâmicas sobre os territórios, destacando o papel das metrópoles como centros de mobilização social e disputas políticas. A Cátedra buscará aprofundar reflexões críticas sobre os limites do neoliberalismo, o esgotamento das políticas públicas tradicionais e os novos modos de luta e organização social emergentes diante da crise das instituições democráticas e da intensificação da automação e da vigilância algorítmica.















