INSCRIÇÕES ABERTAS
Cátedra Maria Firmina dos Reis
APRESENTA
Cultura Negra, Religiosidades e Princípio Feminino
DE 17 MAR a 7 JUL 2026
Apresentação:
A cultura negra apresenta uma estreita relação entre Arte e Vida, fazendo com que exista uma profunda ligação entre as diversas formas de manifestação artística com os fatores sociais, históricos, religiosos e culturais específicos das comunidades em que surgiram e onde se desenvolveram. As mulheres negras tiveram e continuam tendo um papel relevante. A cultura brasileira vai se formar com uma vasta contribuição das culturas europeia e negra, sendo que, seja no mercado, na cozinha , no barracão, na equipe de costura ou na organização de festas e recepções, as mulheres negras cumpriram os seus papéis arquetípicos segundo os mitos africanos: nutrindo, protegendo, organizando e criando. Segundo vários autores, a reconstrução da identidade africana no Brasil vai se caracterizar pela ocupação de espaços e constituição de instituições africanas adequadas à nova realidade. A contribuição dos baianos se eternizou na umbanda carioca, que recria os cultos bantos sob o panteon dos orixás iorubá, permitindo que uma estrutura de aldeia se preserve na cidade, enraizada na sua cultura , no inconsciente coletivo de seu povo e no samba, transformado em música síntese da brasilidade.
Coordenação:
Helena Theodoro:
Possui graduação de Bacharel em Ciências Juridicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1967), graduação em Pedagogia- Faculdade de Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1970), mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1978) e doutorado em Filosofia pela Universidade Gama Filho (1985). Pós-doutorado no IFCS/UFRJ /PPGHC (Programa de Pós Graduação em História Comparada) – 2018. Atualmente é Professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Filosofia do IFCS/UFRJ, de 6/10/23 até 5/10/24, além de responsável pela cátedra Maria Firmina dos Reis por Helena Theodoro pelo Colégio Brasileiro de Altos Estudos – CBAE/ UFRJ, presidente do Conselho do FUNDO ELAS e Coordenadora da Liga Universitária de Pesquisadores e artistas do Carnaval. Foi Coordenadora do Comitê Pró-equidade de Gênero, Raça e Etnia da Casa da Moeda do Brasil até junho de 2016. Foi Professora Auxiliar da Universidade Estácio de Sá. Atuou como Coordenadora da Pós-graduação de Figurino e Carnaval da Universidade Veiga de Almeida(UVA). Participou da Comissão Julgadora do Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento nas três edições 2011, 2012 e 2013, produzido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro/Cojira-Rio. Foi Vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro – CEDINE. Atuou como Vice-presidente do Fundo ELAS e como Jurada do Estandarte de Ouro do Jornal O Globo durante 27 anos. Coordenou o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB) da FAETEC. É coautora dos livros didáticos da série “É hora de comunicar” da Bloch Editores, ( 03 volumes) 1977, do livro Negro e Cultura no Brasil, 1986. Autora dos livros: Mito e Espiritualidade: Mulheres Negras(1996); Os Ibéjis e o Carnaval (2009); Caderno de Cultura Afro-brasileira(2009); Iansã, rainha dos ventos e tempestades (2010); e, Martinho da Vila – Reflexos no Espelho 2018. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Teorias da Aprendizagem; Atua principalmente nos seguintes temas: identidade – valores, cultura afro-brasileira, religião, comunidade – ritos – sexualidade, – educação – processos culturais – comportamento, comunidade- e cidadania – direitos humanos – comportamento sexual.
Programação:
1. A tradição africana no Brasil
- O papel de homens negros e mulheres negras na sociedade brasileira; Mulheres negras religiosas e líderes.
2. Religião tradicional africana
- A natureza do universo; A questão do tempo; Os princípios do universo; A função das comunidades-terreiro e organizações do carnaval.
3. Arte , Vida e Religiosidade no Rio de Janeiro
- Os Cordões e ranchos; Os Blocos; O Jongo; O samba de roda; O samba carioca; Os reizados; A capoeira.
4. O Carnaval e as tradições africanas
- As nuances do samba versus jongo, capoeira e samba de roda; A simbologia do Mestre-sala e porta-bandeira; O terreiro e as quadras das escolas; As baianas e seus quitutes; Os compositores e seus caminhos.
5. Religião e Identidade no Rio de Janeiro
- Religiosidade no Rio: cristãos, muçulmanos e judeus; A pequena África e Madureira: bantos e nagôs.
6. Aceitação das tradições africanas
- O Estado Laico, legislação e as instituições sociais; Intolerância religiosa e educação.
Bibliografia:
- CANDEIA & ISNARD. Escola de samba, árvores que esqueceu a raiz.
Rio de Janeiro: Lidador/SEEC,1978. - COSTA, Haroldo. Salgueiro, academia do samba. Rio de Janeiro:
Record,1984. - FARIAS, Julio Cesar: Para tudo não se acabar na Quarta-feira: a
linguagem do samba-enrêdo. Rio de Janeiro: Litteris,2002 - LIMA, Lana Lage et alii. História e Religião. Rio: FAPERJ;Mauad,2002
- LODY, Raul. Santo também come. Rio, Pallas, 1998.
- LOPES,Nei. Sambeabá: o samba que não se aprende na escola. Rio de Janeiro: Casa da palavra / Folha Seca,2003.
- THEODORO, Helena. Mito e espiritualidade: mulheres negras. Rio deJaneiro:Pallas, 1996
- SANTOS ,.Babalawô Ivanir . et alii Intolerância Religiosa no Brasil: relatório e balanço. Rio de Janeiro: Kline: CEAP, 2017
Informações do curso:
Conteúdo programático:
O conteúdo programático propõe a revisão dos conceitos da religião tradicional africana a partir da história das populações negras no Rio de Janeiro (bantos) e na Bahia (nagôs), examinando suas trocas, tensões e reelaborações no contexto da sociedade carioca. Analisa as manifestações culturais negras e seus processos de transformação do século XX à contemporaneidade, com ênfase nas expressões de religiosidade e na articulação entre o princípio feminino africano e matrizes eurocentradas. Reflete, ainda, sobre a presença da população negra nos espaços urbanos do Rio de Janeiro, discutindo os processos de reconhecimento e aceitação social, bem como o protagonismo das mulheres negras em diferentes campos culturais, religiosos e sociais.
Vagas:
30 vagas presenciais, destinadas a estudantes de Pós-Graduação Níveis Mestrado e Doutorado. Vagas serão ofertadas a estudantes de graduação e aos demais interessados na filosofia africana, como ouvintes, a critério da Coordenação.
Período e carga horária:
De 17/03 a 7/07/2026, às terças-feiras, das 15h às 18h. Carga Horária de 45h/ 3 créditos.
Avaliação e Certificação:
Concedida aos participantes presenciais que cumprirem frequência mínima de 75% e apresentarem artigo com foco na reflexão sobre os conceitos discutidos, com vistas a uma publicação sobre o tema. E certificação especifica aos inscritos como ouvintes.
Ementa completa:
Versão para download (atualizada em 03/03/2026).
Presencial:
Laboratório de Filosofias Ancestrais, 3º andar do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais – IFCS/UFRJ – Largo São Francisco de Paula, 1 – Centro, Rio de Janeiro
Online:
Informações de participação e transmissão on-line serão enviadas aos inscritos.
*Dúvidas relacionadas a assuntos educacionais: solangejorge@forum.ufrj.br
Cátedra Maria Firmina dos Reis – Formação Cultural
Titular: Profa. Helena Theodoro
A proposta da Cátedra é discutir as interações pluralistas de matrizes africanas na cultura brasileira. A cátedra se insere na Década Internacional dos Afrodescendentes, proclamada pela ONU para o período entre 2015 e 2024, a qual convoca o Estado e a sociedade civil para que incorporem o movimento pelo fim do racismo no Brasil e no mundo, buscando ampliar o número de atores e de ações pela promoção da igualdade racial, com vistas à superação das desigualdades, como contribuição para o desenvolvimento pleno e democrático de todos os países.
